Livro-caixinha Luto da criança

 Em Luto, Recurso Terapêutico

A criança que vivencia a morte de um parente, de uma pessoa querida ou mesmo de um animal de estimação pode sentir tristeza, raiva, medo e culpa. A maneira de lidar com o processo de luto é determinada tanto pelo seu desenvolvimento cognitivo quanto emocional. Crianças entre cinco e sete anos são mais vulneráveis, pois têm pouca capacidade de enfrentamento. Por isso, não devemos utilizar metáforas, como “virou uma estrelinha”, “está no céu” ou “foi viajar”, porque elas podem pensar que seu ente querido voltará. Este livro-caixinha® vai ajudar a dar amparo e a lidar de forma mais clara e compreensível com a situação.

A EXPERIÊNCIA DE COMPOR A OBRA

Trabalhar especificamente com o luto, não foi algo que simplesmente acordei e disse quero atender pessoas em situações de luto. Essa “decisão ou esse encontro”, foi resultado de uma série de experiências que tive ao longo da vida. Como a morte da minha irmã mais velha, em um acidente de carro. Quando passamos por algo realmente impactante, enxergamos a vida de outra maneira, nos questionamos sobre o que é a vida e como a estamos vivendo. Por este motivo, segui nos estudos do luto, porque a falta de acolhimento, um luto não vivido adequadamente, pode impactar em várias áreas da vida. Eu digo que estudar sobre o luto é um caminho sem volta! Muito amor envolvido.

A obra foi uma gestação linda, pensada a partir de várias situações, eu sou o tipo de pessoa que sempre tenta extrair algo positivo de uma situação negativa. Em teoria, o correto é dar voz as nossas dores, acolher o outro, vivenciar o luto e por aí vai. Mas a realidade é outra, a verdade é que muitos adultos não dão conta dos seus sofrimentos, tampouco sabem como se ajudar e como ajudar uma criança. E o sentimento de impotência é tremendo, porque eles não querem ver os pequenos sofrendo. De fato, não é uma tarefa fácil falar sobre a perda daqueles que amamos. Mas não podemos fazer de conta que falamos sobre o luto, sobre a morte, ou falamos ou não falamos. E a minha prática clínica mostrou isso: mãe que chorava escondido do filho, pois acreditava que não poderia compartilhar sobre a sua saudade. Pai que não sabia o que dizer, quando seu filho perguntava “quando a mamãe vai voltar”. Avós tentando preservar os netos, não permitindo que outros familiares falassem das pessoas que morreram….

E eu pensava e sinaliza: chore, chore o quanto quiser (desde que não seja recorrente) e pode dizer que está chorando, porque sente falta do seu esposo, do papai e abrir espaço de fala, para que ele também diga o que sente. Esse era o cenário com os pacientes adultos, eu os orientava sobre o que poderiam fazer. (Adaptando recursos para a realidade das crianças).

E um outro cenário muito marcante, foi com uma das crianças que atendi, uma menina doce, inteligente, encantadora. Ela enfrentava a perda do avô e separação dos pais…felizmente o seu contexto familiar permitia expor os sentimentos e a família tinha clareza sobre a importância de vivenciarem o luto. Mas eu pensava: e quem não tem essa educação? E quem não tem essa permissão? E as crianças que não podem ter esse tipo de suporte? E esses pais e/ou familiares que sequer sabem que falar “virou estrelinha” é errado?

Então, quando decidi criar a caixinha, pensei de que forma eu poderia ajudar esses adultos, essas crianças, as alunas da INLUTO ACADEMY e outros profissionais? Fechei os olhos e fiz uma linha do tempo, pensando desde a notícia da morte, velório, primeiros dias, primeiros meses sem a pessoa, os erros e acertos, as dificuldades e as boas lembranças… Pensei em todos os cursos que fiz, todos os livros que li, todos os pacientes que atendi, pensei na minha sobrinha, quando perdeu a mãe com 12 anos. Não são perguntas aleatórias, tem embasamento teórico e foram validadas em atendimento.

As coloquei no papel, no meu coração e ela nasceu! Uma bebê linda, o livro-caixinha Luto da criança. A irmãzinha do livro-caixinha Vida e Luto, também lançada pela Matrix editora. Sou uma mãe mega orgulhosa, será que a família vai crescer? Surpresa!!!

Várias das atividades que estão no livro-caixinha, foram realizadas no atendimento da minha “doce pacientinha”. E quando lembro da nossa primeira sessão, ela em sofrimento, triste e depois em nosso “último” atendimento, quanta diferença! Não tem como não me emocionar!

Showing 2 comments
  • Rosilda Barreto
    Responder

    Esse assunto me interessa muito.

    • Cristiane Assumpção
      Responder

      Olá Rosi,

      Fico feliz com o seu interesse no tema, acessa o meu perfil no Instagram @acrisassumpcao, tem vários vídeos sobre o luto da criança.

      Um abraço!

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Como Superar o Luto - CRISTIANE ASSUMPÇÃO