Como Superar o Luto?

 Em Luto

Enfrentar a perda de quem amamos é algo devastador! Nos questionamos sofre o que fizemos, sobre o que não fizemos e se iremos conseguir viver sem o nosso ente querido. E uma pergunta muito frequente é como superar o luto? O luto não se supera, leia o texto para entender.

Eu, assim como você, também passei pela experiência do luto. Não apenas por uma situação de morte, mas também por outras perdas ao longo da minha vida. Entendo que quando perdemos alguém, vivenciamos “três momentos”, ficamos sem chão, enfrentamos muita desorganização e caminhamos para nos reconstruir.

E QUANDO FICAMOS SEM CHÃO?

No momento em que recebemos uma ligação, para irmos até o hospital. No momento em que o(a) médico(a) diz: “não tenho boas notícias”, ou quando escutamos “nós tentamos de tudo, mas ele(a) foi a “óbito”. Quando alguém nos dá a notícia mais aterrorizante de nossas vidas. Essas frases atormentam a cabeça, quem já ouviu isso, compreende como é doloroso!

Custamos a acreditar, ficamos em estado de choque, anestesiados. E todos os acontecimentos ficam marcados: quem conversou com você, como você recebeu a notícia, com quem estava, aonde estava, o que fez em seguida, como a pessoa morreu…

Automaticamente nosso corpo manifesta algumas reações normais, como dor de cabeça, boca seca, náuseas, fadiga… vem o choro, a tristeza, raiva, culpa, desamparo, falta ou aumento de apetite, insônia ou muito sono, falta de concentração, questionamos a Deus, nossa imunidade fica comprometida e podemos adoecer…

Tanto desespero e ainda nem chegamos ao velório!

Infelizmente algumas pessoas não conseguem participar da despedida do seu dente querido, ou porque a pandemia impediu ou porque moram em lugares distantes… E estar presente no ritual ajuda neste processo, pois ele tem algumas funções, permite a concretude da morte, permite o consolo, permite falar sobre a pessoa que morreu, permite o último adeus.

Ainda sobre o funeral, quanta dificuldade! Essa família tinha plano funerário? Quem ajudou nas questões burocráticas? A pessoa foi cremada? Sepultada? Quem decidiu? Era a vontade do falecido? Quem escolheu a roupa? Quem fez a última homenagem? Aonde guardar as cinzas? Quem esteve presente neste momento tão delicado? Quais foram as pessoas que sequer enviaram uma mensagem? E as pessoas ‘desagradáveis’? Sim! Tem muita gente sem noção, com comentários desnecessários em velórios.

Muitos pacientes descrevem que o momento de fechar o caixão, aquele “último instante” é avassalador!

ENFRENTAMOS MUITA DESORGANIZAÇÃO

Dia seguinte ao velório, como estamos? Péssimos, ainda sem acreditar. Com o passar dos dias as pessoas ao nosso redor (amigos, colegas de trabalho, familiares…), acreditam que “devemos melhorar”. Afinal, a vida precisa continuar. A verdade é que as pessoas voltaram com suas rotinas, mas quem perdeu alguém, ainda está em sofrimento. As pessoas estão enfrentando dificuldade para retomar com a rotina.

Porque TUDO MUDA! A vida de quem perdeu alguém, não é e não será a mesma. Então, não tenha pressa, respeite o seu luto, respeite a sua dor. Eu não sei se você perdeu um pai, uma mãe, um filho, um marido, uma esposa, o namorado, o cachorrinho de estimação. Mas, saber que não iremos mais ouvir a voz daquela pessoa, que ela não chegará mais naquele horário, que ela não estará mais presente nas datas comemorativas é muito, muito triste.

E quem irá fazer o que o falecido fazia? Você precisou mudar de casa? Quem vai cuidar das crianças? Quem vai fazer o jantar? Será que vou conseguir viver sem ele(a)? Será que vou ter coragem de me desfazer dos pertences? O que vou fazer com o seguro? Vou receber alguma pensão? Vou passar dificuldade? Ou foi um alívio? Sim, algumas pessoas vivem relações abusivas e quando ocorre a morte dessa pessoa é um alívio. O que também gera desconforto, pois as pessoas ao redor desconhecem a história e podem julgar a falta de sofrimento do outro.

Aa vezes, a relação familiar é comprometida. Porque as pessoas não entendem, que cada uma reage de uma maneira. Quando um casal perde o filho, por exemplo, a atenção é direcionada apenas para a mãe. Mas os homens também sofrem, eles também perderam um filho. O casal se afasta, ocorre julgamentos, brigas, a relação sexual é impactada… E se não tiver uma  boa comunicação entre eles, pode resultar em uma separação.

A vida vai seguindo, precisamos principalmente vivenciarmos o nosso luto. E o que é vivenciar o luto? É não bloquear os sentimentos, é não fingir que nada aconteceu. Porque aconteceu. Você perdeu a pessoa mais valiosa da sua vida, inibir a dor não é a solução. Evitar falar sobre o que aconteceu ou sobre a pessoa não é a solução.

Você vai passar por momentos delicados, vai chorar, vai sentir raiva, vai se sentir culpado, vai se questionar do por quê não foi no lugar dela, vai desejar ir ao cemitério, pode evitar coisas que lembra ele(a) e os lugares também. Mas, não temos que questionar. Não sabemos o tempo das pessoas aqui. E infelizmente algumas respostas nós não teremos.

Enfrentaremos muitas ‘oscilações’, gosta da analogia do mar! Sabe quando tem momentos em que as ondas estão mais fortes e em outros momentos mais calmas? Assim será a nossa vida, passaremos por momentos mis calmos, iremos retomando as atividades, em outros ficaremos tristes apenas de olhar uma foto ou de alguém perguntar sobre a pessoa que morreu. E está tudo bem! O saudável é isso, momentos positivos e negativos… ficar apenas mergulhado em um ou em outro pode complicar o seu processo de luto.

Esse momento “enfrentando muito desorganização”, perdura por muito, muito tempo. Dependendo de como a pessoa morreu, acidente, homicídio, suicídio…

CAMINHAMOS PARA NOS RECONSTRUIR

As pessoas perdem a esperança no início, se perguntam sobre como superar o luto. Eu particularmente não gosto do “superar”, ninguém supera a morte de quem foi especial. Podemos ressignificar a perda. O luto sempre estará presente em nós, o que não significa que precisa ser algo ‘negativo’. Estará presente, porque amamos a pessoa que morreu. O que permanece é o amor e não a dor!

Como seguir em frente, sem a pessoa mais valiosa da sua vida?
A resposta está escondida dentro da sua dor! Ela é o caminho para você se reconstruir.

Quando o sofrimento de perder alguém nos invade, não é nada fácil lidar com essa realidade árdua. Mas, as coisas começam a mudar, quando aceitamos o que aconteceu. Não tem como fugir e não estou falando sobre evitar a dor, sobre nunca mais falar da pessoa que morreu ou sobre esquecê-la. Estou falando, que olhar apenas para o evento trágico te impede de recordar o período de amor vivido. E são exatamente essas lembranças que precisam ser eternizadas.

É normal, duvidar da sua capacidade de seguir a vida ou resistir em se restabelecer. A tendência é permanecer na zona de conforto, ou na verdade, na zona de desconforto. Tudo que é diferente nos faz sentir medo e o novo é desafiador. Mas ressignificar a perda é o melhor caminho.

A perda que você enfrentou faz e fará parte da sua história, essas experiências te transformaram para você ser a pessoa que é hoje. E todas as lembranças do seu ente querido, serão carregadas para sempre em seu coração.

Dessa forma, você tem duas opções: permanecer no sofrimento, que resultará em prejuízos para sua saúde física e emocional ou buscar ajuda para encontrar sentido na vida.

Faça o que é correto para você, porque uma coisa é certa: sentir infelicidade com a vida te impede de olhar o amor, a luz e a verdade para novas possibilidades.

Enxergar, além do fato acontecido é necessário e essa é a descoberta mais intensa e profunda que podemos vivenciar!

Cada passo no processo do luto é uma transformação.

Portanto, celebre os novos momentos de alegrias mesmo em meio à dor.

Showing 6 comments
  • Cristiane Assumpção
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    teste

  • Maria
    Responder

    Amei o texto,muito obrigado mim ajudou muito…

    • Cristiane Assumpção
      Responder

      Olá Maria!,

      Que boa notícia, sinta-se amparada!
      Cuide-se

      • ADEVILSON VARANDA COSTA
        Responder

        Bacana…estou passando por esta fase na minha vida…

        • Cristiane Assumpção
          Responder

          Olá Adevilson,

          Lamento por sua perda!

      • Cristiane Assumpção
        Responder

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Luto do Homem - Cristiane Assumpção